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Sentes a minha repugnância ?

Posted by Uma Coral chamada Petra on quarta-feira, 28 de janeiro de 2009


Espantava-te se te dissesse que não existe um único dia, sem excepção, em que não me turvas e embacias o pensamento? Talvez sim, ou quem sabe o espanto não seria assim tanto.
Na verdade deves ter mais coisas em que pensar, que duvido que te passe pela cabeça que ainda te quero, ou te perguntes o que andarei a fazer desta minha vida que tu sempre achaste meia lunática. Lunática aos teus olhos ou não, o importante é que vou chegando onde quero.
E se calhar até tens razão quando usas o termo “aluada”, afinal os meus sonhos andam muito perto da lua. Se alguma vez duvidaste que iria lá chegar, muito em breve a vida vai mostrar-te o contrário. A vida, não eu, porque é certo que deixei de ter que te mostrar o que quer que fosse.
Se ainda gosto de ti? Não sei.
Se ainda tenho saudades tuas? Algumas.
Mas deixa-me dizer-te que quando te reviso mentalmente, quando o meu cérebro resolve evocar-te mais uma vez e mais outra, os sentimentos transportados no meu intimo são talvez de dúvida, de confusão.
Fico quase sempre com a sensação de que somos uma história inacabada. E essa sensação leva-me a pensamentos talvez ilusórios em relação a nós.
Será que irias rir-te muito se eu te dissesse que até acredito que essa tua história que arranjaste com a “alternativa” que te estava mais á mão, até é capaz de durar meses, ou até anos. Provavelmente aquela mocinha vulgar até conseguiu a proeza de fazer com que te apaixonasses por ela. Talvez estejas a viver aquele entusiasmo do inicio. Talvez a mocinha vulgar, com quem a genética não foi muito generosa, igual a tantas outras, até tenha qualquer coisa que se aproveite. Talvez ela não seja assim tão má na cama, como alguém um dia disse.
Talvez ela seja exactamente o que tu procuras por agora, a tal banalidade que de uma forma ou de outra te levam á tua ansiada estabilidade.
Talvez ela até nem seja má pessoa. Não sei…e não tenho o menor interesse em saber.
Será que irias rir-te muito se eu te dissesse que sim, que acredito que isso vai durar, mas que também acredito que vai acabar.
E depois vem-me á ideia de que a vida ainda tem muita coisa designada para nós.
Mas enganas-te se pensas que vou começar agora com aquele discurso melodramático, típico das telenovelas ou dos filmes sobre grandes histórias de amor…e uma das pessoas se mantém eterna e quase que estaticamente á espera que a outra pessoa volte.
No entanto existe algo dentro de mim que me diz que talvez voltes, sem que eu espere.
Não sei que tipo de relação é essa que te enche a barriga (será que enche?), não sei o que tens feito nestes últimos três meses, e as vezes que me cruzei com vocês, os pseudo-pombinhos , foram suficientes para saber que prefiro que isso não aconteça muitas vezes.
Tenho sempre receio do que isso pode provocar em mim, porque jamais irei compreender o comportamento horripilante dessa tua namoradinha, assim como nunca conseguirei entender como é que tu, sendo uma pessoa tão racional não sentiste aversão a tal comportamento…
Não interessa.
Sentes a minha repugnância ?
Porque é isso que sinto quando a vossa imagem me vem ao pensamento…repugnância.