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Porque tudo acaba...

Posted by Uma Coral chamada Petra on segunda-feira, 17 de maio de 2010

Acabaram também as minhas palavras para ti.
Já não quero sequer lembrar-te.
Não direi para sempre, mas por agora e por muito mais tempo sei que não faz sentido escrever para e sobre uma pessoa que já não reconheço. A pessoa a quem dirigi todas estas palavras, deixou de existir, e duvido que volte a reencontra-la.
Um dia disse que "matei" a pessoa que era para ti. E "matei", mesmo que lentamente...
E durante estes últimos dias percebi que a tua "morte" em mim era inevitável. Não te dou espaço para uma única palavra que seja.
Acabas de "morrer" em mim.
E o " As Palavras Que Sempre Te Direi " deixa assim de ter voz.
Porque sim...é verdade quando dizem que mais dia, menos dia... tudo acaba.

" As palavras que sempre te direi" - Um ano...

Posted by Uma Coral chamada Petra on quarta-feira, 9 de dezembro de 2009


Há um ano atrás nasceu este blog. Um ano de palavras sempre ditas.
Voltei a reler do primeiro, ao ultimo texto...e a ter a certeza de que terei sempre palavras...e nunca deixarei de as usar.

Escrever não é falar...

Posted by Uma Coral chamada Petra on quarta-feira, 11 de novembro de 2009

foto: Clicio Barroso


" - Escrever não é falar.
- Não? Qual é a diferença?
- É exactamente o oposto. Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque já não te resta nada para dizer.
(...)
E, escrevendo, poupei as coisas que gostaria de te ter dito e que gostaria que tivesses ouvido. "

Miguel Sousa Tavares in No teu deserto

Sem nada a acrescentar... A não ser que, esta seria a definição quase perfeita para a existência deste blogue.



É essa a tua ansiada estabilidade?

Posted by Uma Coral chamada Petra on quarta-feira, 17 de junho de 2009

foto: Marta Ferreira - www.mfotografia.com

O meu telemóvel toca várias vezes ao dia. Nada a que não esteja habituada, por isso não me surpreendo. Procuro-o na minha mala gigante e demoro sempre a encontra-lo entre as inúmeras coisas que tenho lá dentro.
Quando o encontro tenho uma surpresa. O nome que aparece no visor. É o teu.

Ainda tenho tempo de respirar fundo. Atendo a sorrir.
Do outro lado sinto também um sorriso. Quase que consigo visualiza-lo. Tu tens um sorriso bonito. Mas aquele teu que é sincero, não o de circunstancia que por vezes usas com certas e determinadas pessoas.
A tua voz, ao contrário das últimas vezes que falamos apresenta-se num tom afectuoso e doce. Gosto de ouvir-te assim.
Eu também estou calma. Julgo que feliz por falar contigo. Desta vez o meu instinto não é provocar-te. Quero apenas saber os passos dessa tua nova vida da qual eu já não faço parte.
Não te confronto com as inúmeras verdades que talvez tenhas que ouvir. Não vale a pena. Limito-me a perguntar e sei que grande parte tu não queres responder. Não quero saber de situações concretas ou episódios dos capítulos recentes. Quero apenas saber se estás bem.
Poderia não querer saber, poderia conter as palavras, mas sabes que elas estão sempre do meu lado.
Como está a tua vida? “Tudo igual”. Respondes tu.
Julgo-te apaixonadíssimo. Afinal já lá vão uns sete meses que a levaste para dentro da tua vida. Estou preparada para sentir euforia e entusiasmo quando falas dela. Mas isso não acontece. E não sou eu a enganar-me a mim própria. Não preciso disso, sabes bem.
Se te pergunto como corre essa paixão e tu me respondes “Nunca pior”, fico com a sensação de que usei o termo errado.
Paixão? Essa mesma pergunta feita por outras pessoas na altura dos nossos sete meses tinha uma resposta muito distinta. “ Cada vez melhor”. Lembras-te? Claro que te lembras, mas isso agora também não interessa nada. Não é de nós que estamos a falar.
Talvez estas tuas respostas estejam ligadas ao facto de te sentires constrangido em falar comigo sobre o teu relacionamento. Mas não precisas disso. Não me trocaste por ela, não me substituíste. É outra história, outro tempo, outra vida…
E se a nossa história já se apresenta no pretérito, se o nosso tempo já passou e se as nossas vidas já não estão ligadas, não vejo o porquê do teu constrangimento e mal-estar.
Sabes meu amor? Quando me perguntam se vivo bem sem ti, a resposta é “Sim”. E não estou a fazer-me de forte, ou a contradizer o que quer que seja. Claro que não escondo que me és muito, que muitas vezes tenho saudades tuas, que outras tantas te imagino com ela e me sinto agoniada. Mas, sim. Vivo bem sem ti. Acima de tudo vivo bem com a escolha que fiz e orgulho-me de não precisar de assumir o que quer que seja com uma pessoa qualquer, em prol de uma estabilidade social. Não penses que as minhas palavras para ti se desenvolvem apenas em tom de crítica. Não tenho qualquer pretensão em criticar-te. Respeito a tua opção de vida. E se tu acreditas e constróis uma relação porque não queres estar sozinho, não tenho sequer que me revoltar. Os tempos de revolta já lá vão. Cada um escolhe o caminho e as pessoas com quem o percorrer.
Deixei-te ir…mas se te ouço responder “ Que remédio” quando te pergunto se vives bem sem mim…fico a pensar qual será o preço que pagas pela tua escolha e até que ponto será esse o melhor caminho para chegar à tua tão ansiada estabilidade.

Palavras de um báu...

Posted by Uma Coral chamada Petra on quarta-feira, 20 de maio de 2009

foto: Daniel Pedrogam / Modelo: Luísa Santos

Já não te escrevo há mais de um mês, o que não quer dizer que não pense em ti ou que o titulo que escolhi para este blogue já não faça sentido.

Terei sempre algo para te dizer…

Recordo o momento e em que circunstãncias decidi criar este espaço. Queria continuar a escrever para ti secretamente, ou pelo menos sem que tu soubesses que o fazia.
Não é secreto para o mundo, mas é secreto para ti. Embora eu saiba que se lesses a primeira linha escrita neste sítio irias reconhece-lo automaticamente como meu…mas isso não interessa. Um dia irás ler estas palavras, nem que seja daqui a muitos anos…talvez já estejas casado e leves um filho pela mão.

Estas palavras são para ti e chegarão até ti no momento em que saltarem daqui para outro sítio qualquer, ou no instante em que decidas procura-las.
Tu irás reconhece-las, e talvez já não as reproves nessa altura. Sim…porque se te abrisse hoje as portas deste meu abrigo, sei de antemão qual seria a tua expressão facial, aquela que traz consigo um carregado e denso toque de censura.

Daqui a muito tempo, quando eu e o mundo acharmos que deves ler estas palavras, talvez revejas em cada uma delas, em cada sílaba a expressão espontânea daquilo que permaneceu sem ser dito olhos nos olhos.
Talvez vejas aqui declarações do que ficou por dizer dia após dia, daquilo que se dissolveu e enfraqueceu noite após noite…daquilo que se elevou ruído após ruído e nos afastou a cada passo mal dado…

Talvez encontres estas palavras no fundo de um dos meus baús…talvez seja no maior de todos, naquele onde o meu corpo também cabe…e talvez aí possas perceber o tanto que ainda tenho para te dizer…