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Morrer de Amor. Só um bocadinho...

Posted by Uma Coral chamada Petra on quinta-feira, 21 de outubro de 2010

" As vezes que me senti frágil, sem rumo, sem nexo, engasgada na raiva, sofucada pelo engano, atterorizada pelo futuro que - pasmem-se - não tinha ao lado aquele, o outro e depois ainda mais aquele mais lá ao fundo, estão a ver qual é? pois eu já nem me lembro também. As vezes que se morre de amor, as vezes que se pensa que é desta que nos transformamos em pedra, as vezes que acordamos no meio da noite porque de repente ouvimos a voz, sentimos o cheiro, tocamos na pele de quem já não está nem aí, nem aqui nem em lado nenhum. As vezes que ressuscitei, que olhei para trás e sorri porque já nem sei o nome, porque já nem reconheço a voz quando liga, porque já nem sinto o coração na boca quando leio, quando já nem sei do que morri, e descobri que afinal não se morre de amor, só um pouco, um pouquito talvez, o suficiente para sentir o fundo do mar e voltar à tona, respirar todo o ar perdido, de uma vez só e voltar a embrulharmos-nos na vida. Não se morre de amor. "

in Sem Filtro

”Isso vai lá com o tempo”.

Posted by Uma Coral chamada Petra on segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

foto: Graça Loureiro

“ Vão dizer-te que isso vai lá com o tempo. Vão dizer-te, muitas vezes, que isso vai lá com o tempo. Não vais acreditar em nenhuma delas. Vais encolher os ombros por dentro, com a certeza absoluta que ninguém te entende. Que ninguém consegue perceber em quantas tiras está o teu coração rasgado. Na tua cabeça, vais rever tudo. Todos os dias. O que disseste, o que calaste, o que devias ter dito, o que ainda esperas poder dizer, o que ainda esperas poder ouvir. Exactamente três segundos depois de pensares que foi melhor assim, que antes agora que mais tarde, vais sentir que não. Que mais valia mais tarde. Que podia ter sido diferente. Que mais vale a solidão a dois do que esta, que vives agora sozinha. E depois volta a estar tudo bem. E pensas que foi melhor assim. E três segundos, exactamente três segundos depois, voltarás a ser a pessoa do coração às tiras. A chuva não ajuda. E sei que te sentes como o tempo lá fora. Mesmo que fosse verão, o teu quarto pareceria sempre cinzento ao olhares para o que sobrou. Agora parece pouco, com o tempo verás que é muito mais do que isso. Não queria ser mais uma a usar a desculpa do tempo, mas não tenho outra. Aliás, têm-me faltado as palavras. Faltam-me sempre, nestas ocasiões. E é por isso que, quase sempre, fico calada. Porque já estive aí e sei que não há palavras milagrosas. Porque sei que cada vez que o telemóvel toca são segundos de esperança infundada. E, depois, desilusão. Por isso digo o menos possível, porque sei que não são as minhas palavras que queres ler. O pior de tudo é isso. A expectativa. Os dias a passar e não acontece nada. Porque é que não acontece nada? Como é que não acontece nada? As perguntas multiplicam-se e atropelam-se. Há sempre mais perguntas, só não há ninguém para lhes dar resposta. Sei que não te vai apetecer dizer nada. Como sei que te vai apetecer falar, falar, falar, até à exaustão, na tentativa de encontrar alguma explicação que te faça sentido. Sei que não te vai apetecer sair da cama durante uma semana. Como sei que não vais querer parar um minuto, para não teres de pensar. Gostava de não dizer que isto passa com o tempo. Por isso prefiro não dizer nada. “

Descaradamente “roubado” Daqui

Disseram-me isto centenas de vezes, por palavras mais ou menos parecidas. ”Isso vai lá com o tempo”. Diziam-me baixinho, ao ouvido, algumas vezes diziam-no sem falar. Sempre para me acalmar naqueles momentos de sufoco. Não resultava, ou pelo menos não amenizava. Porque de facto nunca acreditava , achava que aquela dor iria durar para sempre. Mas hoje, olhando para trás, sabe tão bem lembrar as pessoas que o disseram num abraço apertado, que na altura nada resolvia, mas que hoje sei, terem sido fundamentais. Ainda não sei dizer ao certo o que é que o tempo resolveu, ou o que acabou por ir ao sitio, mas a dor, essa diminuiu. O tempo ajudou. Estou certa disso.Mas precisei de vários factores aliados ao tempo. Tive que aprender a “reconstruir” o meu coração. Também é verdade que ás vezes, ainda vejo lá uma mancha. A mancha deixada por ti.Por mim. Por nós. Que eu sei que já devia ter desaparecido, mas o tempo ainda não foi capaz de a remover. Sinto-a cada vez mais pequena, mas por mais minúscula que ela seja, eu sei que ela está lá e só eu sei o quanto por vezes, ainda me incomoda. Houve alturas , em que deixei de a ver. Mas ela não tinha desaparecido. Estava encoberta. Só que as manchas continuam a ser manchas, mesmo quando as tapamos. E sabes o que é que me dizem, quando ainda falo nela ? ”Isso vai lá com o tempo”. E eu acredito. Desta vez acredito. Porque se o tempo ajuda a “reconstruir” corações, também há-de ajudar a remover a mancha que vive no meu.

“ Não é sobre a solidão. É sobre a tua ausência no lugar íngreme da minha pele. “

Posted by Uma Coral chamada Petra on quarta-feira, 5 de agosto de 2009

foto:luis azevedo

“ Às vezes perguntas-me porque já não escrevo como antes. Como é que já não escrevo como antes. Porque é que já não não escrevo sequer. Perguntas-me se já não sinto nada e o que é feito daquela solidão que tu fizeste nascer quando foste embora. E eu não te digo mas penso que não escrevi nunca sobre a solidão…

Não é sobre a solidão. É sobre a tua ausência no lugar íngreme da minha pele.

Itálico de Valter Hugo Mãe “

Descaradamente “roubado” Daqui