Isto...? Isto pode durar para sempre.
“E se aprendemos que precisamos de amor e depois não o temos? E se gostamos disso? E se nos apoiamos nisso? E se construímos a nossa vida em torno disso e depois tudo se desmorona? Conseguimos sobreviver a esse tipo de dor? Perder o amor é como uma lesão num orgão. É como a morte. A única diferença é que a morte termina. Isto...? Isto pode durar para sempre.”
in Anatomia de GreyHoje seriam sete.
( Wolfman Jack Smith )
Hoje seriam sete. Mas não são. Foram os que foram. E esses contaram. Contaram para a lista dos melhores anos da minha vida. Fomos muito felizes. O que veio depois não interessa. Ainda hoje tenho saudades tuas. Saudades variadas e de formas distintas. Saudades do que senti, do que fui , do que foste e do que fomos. Ainda hoje há algo em mim que me diz que nas voltas do mundo e da vida ainda vamos voltar a encontrar-nos. Não sei de que forma , nem acredito que voltemos a ser AMOR. Mas talvez tenhamos ainda muitos sorrisos a oferecer um ao outro...talvez !!!
Morrer de Amor. Só um bocadinho...
" As vezes que me senti frágil, sem rumo, sem nexo, engasgada na raiva, sofucada pelo engano, atterorizada pelo futuro que - pasmem-se - não tinha ao lado aquele, o outro e depois ainda mais aquele mais lá ao fundo, estão a ver qual é? pois eu já nem me lembro também. As vezes que se morre de amor, as vezes que se pensa que é desta que nos transformamos em pedra, as vezes que acordamos no meio da noite porque de repente ouvimos a voz, sentimos o cheiro, tocamos na pele de quem já não está nem aí, nem aqui nem em lado nenhum. As vezes que ressuscitei, que olhei para trás e sorri porque já nem sei o nome, porque já nem reconheço a voz quando liga, porque já nem sinto o coração na boca quando leio, quando já nem sei do que morri, e descobri que afinal não se morre de amor, só um pouco, um pouquito talvez, o suficiente para sentir o fundo do mar e voltar à tona, respirar todo o ar perdido, de uma vez só e voltar a embrulharmos-nos na vida. Não se morre de amor. "
in Sem Filtro
Ouvir-me a mim própria...
foto: Carla Salgueiro
Nem um mês tinha passado desde o fim oficial e anunciado. A pessoa para quem mais escrevia eras tu.
Mais uma carta. Não me lembro se foi escrita durante a noite ou sob a luz do dia. Sei que mais uma vez estava deitada na cama a pensar. Estava sempre a pensar em tudo o que os meus olhos viam, nos sons e palavras que iam chegando aos meus ouvidos. Mas os sentimentos, os sentimentos… eram eles que me ocupavam mais a mente.
Não me lembro se havia sol ou lua. Sei que estava estendida na cama a pensar que tu já não estavas ali. Nem tu, nem ninguém. Ali só restava uma pessoa…eu. Mesmo que errante, eu continuava a ser a pessoa mais importante. E apesar daquela nuvem triste a planar em cima da minha cabeça, eu nunca me esqueci do muito que era, e sou, no meio de tanta futilidade e pequenez que mundo me tinha mostrado. Eu sabia que por mais sozinha que me sentisse sem ti, nunca estaria realmente só. Porque tu não eras a única coisa boa na minha vida. Eu tinha mais. Muito mais. E esse mais, que é muito mais do que tu possas imaginar, composto por sentimentos e pessoas devolviam-me o sorriso quando só me apetecia chorar e destilar a minha dor. Estiveram sempre ali, a relembrar-me todas as razões que eu tinha para sorrir. E tinha. Ao contrário do que eu pensava, o meu mundo afinal não tinha saído do sítio. Sentiu-se um tremor sim, mas o meu mundo e as minhas pessoas continuavam ali. Estavam comigo. Gostavam de mim. Mais do que isso…não queriam modificar-me ou restringir-me a determinadas condições. Agarravam-me na mão nos momentos de descontrolo maior. Livravam-me do pânico. Olhasse para onde olhasse sentia-as perto de mim, e ninguém conseguia afasta-las…ao contrário de ti.
Agora vejo o quanto estava sensível. Mais sensível do que o normal. Um pouco mais susceptível e desequilibrada até. Oscilava entre dois extremos...Dois estados de espírito completamente opostos. Passava facilmente do riso às lágrimas e vice-versa. As lágrimas apareciam quando me lembrava do “lixo humano” do qual estávamos rodeados. As lágrimas eram frequentes porque as minhas emoções estavam mal geridas, porque eu ainda gostava de ti e tu de mim, e saber que num ápice deitamos tudo a perder, doía…
Apesar de tudo o que estava a fugir-me das mãos, eu ainda sorria. Sorria porque continuava a ser eu, porque havia ainda quem me olhasse com enternecimento, porque havia ainda quem me observasse e visse aquilo que eu não dizia. Para eles as minhas qualidades estavam muito acima dos meus defeitos. Tu apontavas-me os vícios e imperfeições e os meus amigos acentuavam-me as qualidades. E eles também sabiam das minhas desordens, dos desalinhos da minha mente, das confusões da minha natureza. Só que enquanto tu duvidavas da minha índole, eles lembravam-me que não era o meu caos interior que me roubava o carácter. Os meus amigos foram tão, mas tão importantes. Sempre soube. Mas hoje, passados mais de dois anos, ao ler esta carta repetidamente, sei que se não os tivesse ao meu lado, seria tão… mas tão mais difícil.
As minhas emoções estavam cabalmente desgovernadas. A ultima vez que tínhamos estado juntos tu estavas abatido e com uma expressão quase transfigurada. Lembro-me de olhar para ti e pensar: “ Como é possível que a minha forma de ser, te tenha magoado tanto? “.
Pela primeira vez senti que afinal não gostavas de mim por inteiro. Achavas que eu me dava demais às pessoas. E isso para ti era um defeito. Ou talvez não fosse um defeito, mas a certa altura começou a incomodar-te o que os outros pensavam.
Perguntavas vezes sem conta se ia revoltar-me contra o mundo e dizias que os outros não tinham culpa. E na verdade não tinham. Pelo menos a culpa maior não era deles. Culpa… tive eu que me deixei levar por emoções baralhadas e depois não soube pô-las no sítio. Culpa tiveste tu, que deixaste que algumas posturas menos boas invalidassem muito do que fomos e do que vivemos. Culpa… tivemos nós quando nos preocupamos em atribuir culpas a alguém…
Agora vejo o quanto estava frágil. Ainda mais frágil me sentia aos teus olhos. A cada conversa que tínhamos a minha fragilidade aumentava. E sim, a certa altura senti-me desconhecida aos teus olhos, como um dia te disse.
Entendes agora a minha decisão de ficar em silêncio? Eu não podia continuar a alimentar discussões e suspeitas.
Entendes agora a minha escolha de nem sequer querer ouvir? Se eu não podia calar as vozes que me atormentavam, podia escolher não ouvi-las…
Mas eu continuava a escrever para ti. Porque ao escrever para ti, estava ao mesmo tempo a ouvir a pessoa que mais precisava… a mim própria.
Fim anunciado…
foto: Vieirinha
A minha alma estava gelada, desesperadamente gelada e atónita. Eu só queria estar comigo. Eu, a minha dor, e claro, a caneta e o papel. Nessa noite abandonei todas as cegueiras. Os meus olhos estavam sempre a transbordar de água e o chão daquele quarto parecia abanar. Na verdade era o meu mundo que parecia estar a sofrer um sismo. Deixei-me estar deitada naquele quarto de hotel a escrever. Só ali estava distante de uma parte do mundo lá fora que parecia empenhado em magoar-me ainda mais. Só ali conseguia estar comigo. Só ali me sentia a salvo e resguardada de criaturas e matérias que pudessem inflamar e espicaçar o que de pior havia em mim. Só ali me sentia protegida de espiãs maldosas e famintas de me colocarem no banco dos réus. Naquela altura todas as minhas posturas eram condenáveis. Tudo o que eu fizesse era observado ao milímetro e a acusação mais frequente, era que eu gostava de ser o centro das atenções. Só que a distinção entre mim e essas pessoas, era fácil de perceber. Eu não precisava de fazer absolutamente nada para que isso acontecesse. Enquanto que elas viviam constantemente a provocar situações para que as colocassem no centro.
Estava cansada de acusações medíocres e mesquinhas que incluíam o uso e abuso da minha inteligência para o mal. E eu tinha pena de certas pessoas, porque inteligência era algo que nunca tinha vivido na cabeça delas, logo não podiam saber que uma pessoa que a possua tem muito mais o que fazer com ela.
O nosso fim tinha sido anunciado. Já não restavam dúvidas. O fim era oficial. A decisão foi tomada a dois depois do primeiro passo que eu já tinha dado. Tu sabias que não ia ser fácil. Eu sabia que ia custar muito. Mas ambos sabíamos ser a decisão mais certa. Arriscávamo-nos a deitar por terra também a nossa amizade. E isso, nós não queríamos. Aliás…isso para nós era impensável. Não valia a pena tentar prosseguir com uma relação que há já algum tempo não funcionava.
Naquela noite eu estava atordoada…os dias anteriores tinham sido de desassossego e sobressalto constante. Naquela noite, tentei mentalizar-me ao escrever para ti de que aquilo era de facto o melhor para os dois.
O espelho mostrava-me a diferenças, as incompatibilidades, e eu tentava mentalizar-me dos universos diferentes, das nossas discrepâncias enquanto pessoas. E eu tentava mentalizar-me que o nosso encaixe se tinha despedaçado, parte por parte, em pedacinhos pequeninos.
Lembro-me de sentir medo de não conseguir superar. Lembro-me de chorar. Chorar muito. De recordar as coisas boas que vivemos. Eu só queria guardar o melhor de ti.
No meio de tantas dúvidas, naquela noite tive a certeza de que não queria perder o norte, nem o rumo da minha vida, e muito menos existir e coabitar num mundo com o qual não me identificava. Tu sabias que ser eu própria era algo indispensável na minha vida. Sempre soubeste. E também sabias que estava fora de questão deixar de ser eu.
Naquela noite vi todos os meus erros estampados no espelho. Reconheci-os todos. Um a um. Eu sabia que muitos deles haviam sido graves. Tu também já tinhas reconhecido o teu enorme descuido em não me ouvires quando te lembrava que a nossa relação caminhava para algo, com o qual eu jamais saberia viver. Eu tinha falado tantas vezes. E tu não escutavas, ou se calhar escutavas, mas não arranjavas maneira de saltar o muro que se estava a criar entre nós. Já tinhas admitido o teu maior desacerto. Tinhas-te acomodado. Assumiste que facilmente te acomodaste, e contaste-me daquela obtusa e estúpida ideia de que a nossa vida estava feita e que eu era um dado adquirido.
Estavas revoltado pelo travão que não conseguiste usar, por não teres feito nada para mudar o que estava mal, por não acreditares em mim quando bradava de forma constante que me estavas a perder.
Falaste da ausência de harmonia em aspectos evidentes, das vezes que não falaste ou não insististe em determinados conteúdos, pois eu não gostava e dizia sentir-me ainda mais asfixiada. Foi precisamente aí que se abriu espaço para a distância, e dia após dia ela estava mais patente.
A última conversa que tivemos antes dessa noite… não me saía da cabeça. Tinha a tua voz numa espécie de eco a dizer-me que estavas arrependido, tão arrependido por não contestares, por nem sequer te questionares o que realmente nos estava a fazer mal. Nem quando eu comecei a interrogar-me acerca do que estava a acontecer-nos tu quiseste ver ou reagir. Fomos procurando refúgios para não acreditar…
Durante essa conversa apontamos defeitos e virtudes. Havia uma certa culpa que me querias atribuir num discurso confuso que alternava entre a admiração das minhas virtudes e a desilusão dos meus defeitos. Quando me conheceste eu já era assim. Como tu dizias, nada me chegava, eu queria sempre mais, eu tinha sempre que subir mais um degrau, não podia sentir-me presa num patamar se sabia que havia um patamar mais acima. Tu costumavas dizer que a minha ambição era contagiante. Um dia disseste-me “ é tão bom aquilo que me fazes sentir, sinto que posso ter e ser tudo ao teu lado”. E eu sentia o mesmo. Que o nosso sentimento era tão nobre…que juntos podíamos tudo, porque tínhamos o amor do nosso lado.
Mas nessa conversa o amor já não era só amor. Era revolta, era um sem número de coisas e denúncias mesquinhas. Era a dúvida. A desconfiança. E o amor, o amor pode ter muitas coisas associadas… menos essas.
Por isso é que, eu, naquela noite gélida decidi fugir do mundo, e fechar-me dentro de mim própria. Era a primeira tentativa de página virada…a primeira de muitas.
O amor é fodido!!!
foto: Sara Sa
Miguel Esteves Cardoso
Eu já acreditava. O MEC já me tinha avisado, mas foi preciso viver uma história como a nossa para ter a certeza de que também eu...hei-de acreditar sempre nisto.
Dos nossos caminhos opostos...
foto: Marisa Gonçalves
E depois também me faz pensar que estás tão afastado do que sou…muito afastado. Faz-me pensar nos fantasmas interiores que deixei em ti, e tu em mim.
Juntos ultrapassamos muitas barreiras. As barreiras externas, extrínsecas, superficiais. E as barreiras internas, intimas, privadas.
Lembraste quando me prometeste que estarias comigo em tudo e para tudo? Nós tínhamos um amor feliz. Ainda te lembras?
Eu não me esqueço. E às vezes tenho saudades. Uma saudade estranha, uma saudade que sei que não significa que te quero de volta. Até porque estou certa que há muito que deixei de amar-te. Se calhar não foi assim há tanto tempo, mas as circunstancias e as pessoas que se foram infiltrando no meio deste sentimento fazem-me sentir que afinal já passou tempo demais.
As escolhas e as selecções foram nossas. Eu virei costas e ergui a cabeça sozinha. Tu precisaste de uma muleta para virar costas. No fim disto tudo é bom perceber que nunca fomos uma muleta um para o outro. Fomos amor. Fomos apaixonados de uma forma tão ardente que aposto que te lembras muitas vezes. Eu não me esqueci. Não te amo, mas não me esqueci de ti.
Um dia também me falaste que fugir do que sentias por mim era uma opção consciente. Algumas opções minhas tinham sido inconscientes. E agora vejo que foram as tuas opções conscientes e as minhas inconscientes que coordenaram o nosso caminho. Caminhos opostos é certo…mas que terão sempre um rasto significativo e marcante da nossa paixão, das barreiras que nos trocaram as voltas, do nosso amor…daquele que deixou em mim uma certeza miudinha, de que talvez não volte a encontrar quem me faça sentir daquela forma…
A resposta...
foto: luis azevedo
"Nunca tiveste aquela sensação de amares alguém, de amares alguém muito, e as circunstâncias em que a tua vida acontece destruírem a possibilidade desse amor, apesar de ele continuar a existir dentro de ti?"
Esta pergunta é a resposta...foi isto que nos aconteceu.
Lembrei-me...
foto:Autor(a) Daniel Pedrogam / Modelo: Irina Brovichka
Lembrei-me que se calhar tu já nem te lembras de quem sou, de quem fui e do que vou ser. Dos sonhos que tiveste, dos sonhos que te criei. Das minhas quimeras e visões alargadas sobre o mundo e as pessoas.
Lembrei-me das minhas emoções destiladas, do tanto que chorei. De quando me agarraste a cara com as duas mãos, ma ergueste e me disseste com os olhos cheios de água que me amavas, mas que tinhas a certeza que iríamos por caminhos contrários.
Tinha-te mostrado todos os lados da vida, apresentei-te desordens e perturbações, e isso tu sabias que não querias mais.
Pergunto-me como verás tu o amor depois de tudo o que nos aconteceu.
Chamam-lhe amor não é?
foto: Daniel Oliveira
Eu converter-me num ser amargurado e gélido? Não. Isso não é para mim. Tu sabes que não sou uma pessoa dada a tristezas e agonias. Mas senti-me lá perto.
Senti-me lá perto no instante em que nos meus olhos já não havia ponta de brilho e fulgor. Quando senti o coração completamente congelado e me senti uma esgrimista de palavras.
As pessoas perguntavam-me como é que a vida me estava a tornar tão fria.
Havia culpas para todos os gostos e paladares. Culpas inventadas e fabricadas por mim própria.
Primeiro eram as saudades. Essas eram as maiores culpadas e serviam de pretexto para todos os meus momentos nostálgicos, para todas as minhas mágoas e melancolias.
Depois arranjei um novo culpado. Acusei o amor. Passou a ser ele o arguido naquele meu sofrimento. O amor passou a ser o criminoso, quase delinquente.
A seguir passei a culpar-te a ti. Mas foi por pouco tempo, porque felizmente admiti que todos os outros réus inventados pela minha dor eram apenas uma desculpa para não sair daquele estado.
A única culpada era eu.
Não, não me culpo por gostar de ti. Não posso mudar isso, porque as pessoas não escolhem de quem gostam, ou quando deixarão de gostar.
Mas escolhem como lidar com esse sentimento.
Chamam-lhe amor não é? O sentimento que tem duas faces, dois lados tão extremistas. É por isso que eu digo que o amor é das sensações mais perigosas e arriscadas que podemos experimentar. Se por um lado é um sentimento nobre, por outro quando nos mostra o lado inverso é como se virasse tudo de pernas para o ar, como se as próprias pessoas se virassem do avesso. E depois de viradas do avesso, se as pessoas não forem firmes e resistentes a tudo isso perdem grande parte da sua essência.
Era exactamente isso que estava acontecer-me. Porque eu não sou nem nunca aspirei ser esgrimista de palavras, como se elas tivessem uma extremidade aguçada pronta a ferir alguém.
E hoje sinto-me feliz porque fui a tempo de mudar a minha atitude perante este amor, pois descobri que não posso permitir que ele destrua ou mine as coisas benignas e favoráveis que me rodeiam.
Sentes a minha repugnância ?
Na verdade deves ter mais coisas em que pensar, que duvido que te passe pela cabeça que ainda te quero, ou te perguntes o que andarei a fazer desta minha vida que tu sempre achaste meia lunática. Lunática aos teus olhos ou não, o importante é que vou chegando onde quero.
E se calhar até tens razão quando usas o termo “aluada”, afinal os meus sonhos andam muito perto da lua. Se alguma vez duvidaste que iria lá chegar, muito em breve a vida vai mostrar-te o contrário. A vida, não eu, porque é certo que deixei de ter que te mostrar o que quer que fosse.
Se ainda gosto de ti? Não sei.
Se ainda tenho saudades tuas? Algumas.
Mas deixa-me dizer-te que quando te reviso mentalmente, quando o meu cérebro resolve evocar-te mais uma vez e mais outra, os sentimentos transportados no meu intimo são talvez de dúvida, de confusão.
Fico quase sempre com a sensação de que somos uma história inacabada. E essa sensação leva-me a pensamentos talvez ilusórios em relação a nós.
Será que irias rir-te muito se eu te dissesse que até acredito que essa tua história que arranjaste com a “alternativa” que te estava mais á mão, até é capaz de durar meses, ou até anos. Provavelmente aquela mocinha vulgar até conseguiu a proeza de fazer com que te apaixonasses por ela. Talvez estejas a viver aquele entusiasmo do inicio. Talvez a mocinha vulgar, com quem a genética não foi muito generosa, igual a tantas outras, até tenha qualquer coisa que se aproveite. Talvez ela não seja assim tão má na cama, como alguém um dia disse.
Talvez ela seja exactamente o que tu procuras por agora, a tal banalidade que de uma forma ou de outra te levam á tua ansiada estabilidade.
Talvez ela até nem seja má pessoa. Não sei…e não tenho o menor interesse em saber.
Será que irias rir-te muito se eu te dissesse que sim, que acredito que isso vai durar, mas que também acredito que vai acabar.
E depois vem-me á ideia de que a vida ainda tem muita coisa designada para nós.
Mas enganas-te se pensas que vou começar agora com aquele discurso melodramático, típico das telenovelas ou dos filmes sobre grandes histórias de amor…e uma das pessoas se mantém eterna e quase que estaticamente á espera que a outra pessoa volte.
No entanto existe algo dentro de mim que me diz que talvez voltes, sem que eu espere.
Não sei que tipo de relação é essa que te enche a barriga (será que enche?), não sei o que tens feito nestes últimos três meses, e as vezes que me cruzei com vocês, os pseudo-pombinhos , foram suficientes para saber que prefiro que isso não aconteça muitas vezes.
Tenho sempre receio do que isso pode provocar em mim, porque jamais irei compreender o comportamento horripilante dessa tua namoradinha, assim como nunca conseguirei entender como é que tu, sendo uma pessoa tão racional não sentiste aversão a tal comportamento…
Não interessa.
Sentes a minha repugnância ?
Porque é isso que sinto quando a vossa imagem me vem ao pensamento…repugnância.
Amo-te...
Tenho a certeza de que tudo o que tenho feito é por amor.
Tenho a certeza de que o que sinto é amor.
Tenho a certeza de que te amo.
Mesmo que nao te volte a ter tenho a certeza de que te amei.
Podemos amar em silêncio, podemos amar distantes, pode amar-se muito e muito, mas nao se ama na dúvida.
Espero aqui, em silêncio, pelo amor, por ti. "
Eduardo Martins
Acerca de mim
- Uma Coral chamada Petra
- "Linda e Fatal A coral, é de facto uma serpente bonita. Essa linda serpente tráz na boca duas presas venenosas. As suas mandíbulas são uma armadilha para cobras pequenas, mesmo as venenosas. O veneno da coral ataca o sistema nervoso central, e quase sempre mata. Esta serpente, no entanto não é sempre perigosa, pois não provoca o ataque como a maioria das cobras venenosas, mas ao sentir-se atacada a cobra-coral contra-ataca com uma rapidez e eficácia fatal. " " Petra Significa: saber cativar os outros e manter um convívio harmonioso e agradável. É muito hábil e altruísta. Afectivamente, dedica-se com paixão. É sensual e atraente. É exuberante nas suas manifestações mas não perdoa retorno morno ou indeciso. "
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