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Dos nossos caminhos opostos...

Posted by Uma Coral chamada Petra on terça-feira, 20 de outubro de 2009

foto: Marisa Gonçalves

Quando me ligas, as tuas questões, as tuas palavras, provocam sempre um certo abanão na minha vida. Na minha vida…não sei se diria tanto, mas ainda há um efeito qualquer que me provocas. Estou certa que há muito que deixei de amar-te. Mas quando me ligas para falar de coisas banais, ou de coisas que nada têm a ver com amor, a tua voz do outro lado faz-me sempre pensar que tu já me foste tanto, já te tive tão próximo, numa parte tão privada do meu coração. Do quão dentro já lá estiveste. Nunca ninguém esteve lá da mesma forma que tu.
E depois também me faz pensar que estás tão afastado do que sou…muito afastado. Faz-me pensar nos fantasmas interiores que deixei em ti, e tu em mim.
Juntos ultrapassamos muitas barreiras. As barreiras externas, extrínsecas, superficiais. E as barreiras internas, intimas, privadas.
Lembraste quando me prometeste que estarias comigo em tudo e para tudo? Nós tínhamos um amor feliz. Ainda te lembras?
Eu não me esqueço. E às vezes tenho saudades. Uma saudade estranha, uma saudade que sei que não significa que te quero de volta. Até porque estou certa que há muito que deixei de amar-te. Se calhar não foi assim há tanto tempo, mas as circunstancias e as pessoas que se foram infiltrando no meio deste sentimento fazem-me sentir que afinal já passou tempo demais.
As escolhas e as selecções foram nossas. Eu virei costas e ergui a cabeça sozinha. Tu precisaste de uma muleta para virar costas. No fim disto tudo é bom perceber que nunca fomos uma muleta um para o outro. Fomos amor. Fomos apaixonados de uma forma tão ardente que aposto que te lembras muitas vezes. Eu não me esqueci. Não te amo, mas não me esqueci de ti.
Um dia também me falaste que fugir do que sentias por mim era uma opção consciente. Algumas opções minhas tinham sido inconscientes. E agora vejo que foram as tuas opções conscientes e as minhas inconscientes que coordenaram o nosso caminho. Caminhos opostos é certo…mas que terão sempre um rasto significativo e marcante da nossa paixão, das barreiras que nos trocaram as voltas, do nosso amor…daquele que deixou em mim uma certeza miudinha, de que talvez não volte a encontrar quem me faça sentir daquela forma…

É essa a tua ansiada estabilidade?

Posted by Uma Coral chamada Petra on quarta-feira, 17 de junho de 2009

foto: Marta Ferreira - www.mfotografia.com

O meu telemóvel toca várias vezes ao dia. Nada a que não esteja habituada, por isso não me surpreendo. Procuro-o na minha mala gigante e demoro sempre a encontra-lo entre as inúmeras coisas que tenho lá dentro.
Quando o encontro tenho uma surpresa. O nome que aparece no visor. É o teu.

Ainda tenho tempo de respirar fundo. Atendo a sorrir.
Do outro lado sinto também um sorriso. Quase que consigo visualiza-lo. Tu tens um sorriso bonito. Mas aquele teu que é sincero, não o de circunstancia que por vezes usas com certas e determinadas pessoas.
A tua voz, ao contrário das últimas vezes que falamos apresenta-se num tom afectuoso e doce. Gosto de ouvir-te assim.
Eu também estou calma. Julgo que feliz por falar contigo. Desta vez o meu instinto não é provocar-te. Quero apenas saber os passos dessa tua nova vida da qual eu já não faço parte.
Não te confronto com as inúmeras verdades que talvez tenhas que ouvir. Não vale a pena. Limito-me a perguntar e sei que grande parte tu não queres responder. Não quero saber de situações concretas ou episódios dos capítulos recentes. Quero apenas saber se estás bem.
Poderia não querer saber, poderia conter as palavras, mas sabes que elas estão sempre do meu lado.
Como está a tua vida? “Tudo igual”. Respondes tu.
Julgo-te apaixonadíssimo. Afinal já lá vão uns sete meses que a levaste para dentro da tua vida. Estou preparada para sentir euforia e entusiasmo quando falas dela. Mas isso não acontece. E não sou eu a enganar-me a mim própria. Não preciso disso, sabes bem.
Se te pergunto como corre essa paixão e tu me respondes “Nunca pior”, fico com a sensação de que usei o termo errado.
Paixão? Essa mesma pergunta feita por outras pessoas na altura dos nossos sete meses tinha uma resposta muito distinta. “ Cada vez melhor”. Lembras-te? Claro que te lembras, mas isso agora também não interessa nada. Não é de nós que estamos a falar.
Talvez estas tuas respostas estejam ligadas ao facto de te sentires constrangido em falar comigo sobre o teu relacionamento. Mas não precisas disso. Não me trocaste por ela, não me substituíste. É outra história, outro tempo, outra vida…
E se a nossa história já se apresenta no pretérito, se o nosso tempo já passou e se as nossas vidas já não estão ligadas, não vejo o porquê do teu constrangimento e mal-estar.
Sabes meu amor? Quando me perguntam se vivo bem sem ti, a resposta é “Sim”. E não estou a fazer-me de forte, ou a contradizer o que quer que seja. Claro que não escondo que me és muito, que muitas vezes tenho saudades tuas, que outras tantas te imagino com ela e me sinto agoniada. Mas, sim. Vivo bem sem ti. Acima de tudo vivo bem com a escolha que fiz e orgulho-me de não precisar de assumir o que quer que seja com uma pessoa qualquer, em prol de uma estabilidade social. Não penses que as minhas palavras para ti se desenvolvem apenas em tom de crítica. Não tenho qualquer pretensão em criticar-te. Respeito a tua opção de vida. E se tu acreditas e constróis uma relação porque não queres estar sozinho, não tenho sequer que me revoltar. Os tempos de revolta já lá vão. Cada um escolhe o caminho e as pessoas com quem o percorrer.
Deixei-te ir…mas se te ouço responder “ Que remédio” quando te pergunto se vives bem sem mim…fico a pensar qual será o preço que pagas pela tua escolha e até que ponto será esse o melhor caminho para chegar à tua tão ansiada estabilidade.

Chamam-lhe amor não é?

Posted by Uma Coral chamada Petra on sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

foto: Daniel Oliveira

Estive a um passo de deixar que a vida e este amor me convertessem numa pessoa azeda.
Eu converter-me num ser amargurado e gélido? Não. Isso não é para mim. Tu sabes que não sou uma pessoa dada a tristezas e agonias. Mas senti-me lá perto.
Senti-me lá perto no instante em que nos meus olhos já não havia ponta de brilho e fulgor. Quando senti o coração completamente congelado e me senti uma esgrimista de palavras.
As pessoas perguntavam-me como é que a vida me estava a tornar tão fria.
Havia culpas para todos os gostos e paladares. Culpas inventadas e fabricadas por mim própria.
Primeiro eram as saudades. Essas eram as maiores culpadas e serviam de pretexto para todos os meus momentos nostálgicos, para todas as minhas mágoas e melancolias.
Depois arranjei um novo culpado. Acusei o amor. Passou a ser ele o arguido naquele meu sofrimento. O amor passou a ser o criminoso, quase delinquente.
A seguir passei a culpar-te a ti. Mas foi por pouco tempo, porque felizmente admiti que todos os outros réus inventados pela minha dor eram apenas uma desculpa para não sair daquele estado.
A única culpada era eu.
Não, não me culpo por gostar de ti. Não posso mudar isso, porque as pessoas não escolhem de quem gostam, ou quando deixarão de gostar.
Mas escolhem como lidar com esse sentimento.
Chamam-lhe amor não é? O sentimento que tem duas faces, dois lados tão extremistas. É por isso que eu digo que o amor é das sensações mais perigosas e arriscadas que podemos experimentar. Se por um lado é um sentimento nobre, por outro quando nos mostra o lado inverso é como se virasse tudo de pernas para o ar, como se as próprias pessoas se virassem do avesso. E depois de viradas do avesso, se as pessoas não forem firmes e resistentes a tudo isso perdem grande parte da sua essência.
Era exactamente isso que estava acontecer-me. Porque eu não sou nem nunca aspirei ser esgrimista de palavras, como se elas tivessem uma extremidade aguçada pronta a ferir alguém.
E hoje sinto-me feliz porque fui a tempo de mudar a minha atitude perante este amor, pois descobri que não posso permitir que ele destrua ou mine as coisas benignas e favoráveis que me rodeiam
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