É essa a tua ansiada estabilidade?

Posted by Uma Coral chamada Petra on quarta-feira, 17 de junho de 2009

foto: Marta Ferreira - www.mfotografia.com

O meu telemóvel toca várias vezes ao dia. Nada a que não esteja habituada, por isso não me surpreendo. Procuro-o na minha mala gigante e demoro sempre a encontra-lo entre as inúmeras coisas que tenho lá dentro.
Quando o encontro tenho uma surpresa. O nome que aparece no visor. É o teu.

Ainda tenho tempo de respirar fundo. Atendo a sorrir.
Do outro lado sinto também um sorriso. Quase que consigo visualiza-lo. Tu tens um sorriso bonito. Mas aquele teu que é sincero, não o de circunstancia que por vezes usas com certas e determinadas pessoas.
A tua voz, ao contrário das últimas vezes que falamos apresenta-se num tom afectuoso e doce. Gosto de ouvir-te assim.
Eu também estou calma. Julgo que feliz por falar contigo. Desta vez o meu instinto não é provocar-te. Quero apenas saber os passos dessa tua nova vida da qual eu já não faço parte.
Não te confronto com as inúmeras verdades que talvez tenhas que ouvir. Não vale a pena. Limito-me a perguntar e sei que grande parte tu não queres responder. Não quero saber de situações concretas ou episódios dos capítulos recentes. Quero apenas saber se estás bem.
Poderia não querer saber, poderia conter as palavras, mas sabes que elas estão sempre do meu lado.
Como está a tua vida? “Tudo igual”. Respondes tu.
Julgo-te apaixonadíssimo. Afinal já lá vão uns sete meses que a levaste para dentro da tua vida. Estou preparada para sentir euforia e entusiasmo quando falas dela. Mas isso não acontece. E não sou eu a enganar-me a mim própria. Não preciso disso, sabes bem.
Se te pergunto como corre essa paixão e tu me respondes “Nunca pior”, fico com a sensação de que usei o termo errado.
Paixão? Essa mesma pergunta feita por outras pessoas na altura dos nossos sete meses tinha uma resposta muito distinta. “ Cada vez melhor”. Lembras-te? Claro que te lembras, mas isso agora também não interessa nada. Não é de nós que estamos a falar.
Talvez estas tuas respostas estejam ligadas ao facto de te sentires constrangido em falar comigo sobre o teu relacionamento. Mas não precisas disso. Não me trocaste por ela, não me substituíste. É outra história, outro tempo, outra vida…
E se a nossa história já se apresenta no pretérito, se o nosso tempo já passou e se as nossas vidas já não estão ligadas, não vejo o porquê do teu constrangimento e mal-estar.
Sabes meu amor? Quando me perguntam se vivo bem sem ti, a resposta é “Sim”. E não estou a fazer-me de forte, ou a contradizer o que quer que seja. Claro que não escondo que me és muito, que muitas vezes tenho saudades tuas, que outras tantas te imagino com ela e me sinto agoniada. Mas, sim. Vivo bem sem ti. Acima de tudo vivo bem com a escolha que fiz e orgulho-me de não precisar de assumir o que quer que seja com uma pessoa qualquer, em prol de uma estabilidade social. Não penses que as minhas palavras para ti se desenvolvem apenas em tom de crítica. Não tenho qualquer pretensão em criticar-te. Respeito a tua opção de vida. E se tu acreditas e constróis uma relação porque não queres estar sozinho, não tenho sequer que me revoltar. Os tempos de revolta já lá vão. Cada um escolhe o caminho e as pessoas com quem o percorrer.
Deixei-te ir…mas se te ouço responder “ Que remédio” quando te pergunto se vives bem sem mim…fico a pensar qual será o preço que pagas pela tua escolha e até que ponto será esse o melhor caminho para chegar à tua tão ansiada estabilidade.

9 comentários:

Pétala disse...

Petra, eu ainda não cheguei nessa fase, mas quem sabe chego lá? Pelo menos, vc ainda tem o tom de voz masculino de arrependimento aos teus ouvidos, e quem sabe, isso até te faça bem. Eu só imagino que terei a ligação vingativa do "estou muito melhor agora, com alguém muito melhor". Nunca com essas palavras, mas com um tom de voz tb desconcertante e um silêncio que confirma isso...e talvez, nunca uma ligação. Ainda és feliz por esta ligação, e acima de tudo, és feliz por estares realmente bem.
Eu me apaixonei pelo seu texto.

Beijos e pétalas.

Cátia disse...

Bela reflexão. No entanto parece-me que uma parte de ti, talvez a que ainda se importa tanto com ele, fica feliz por poder pensar que a busca da estabilidade dele não correu assim tão bem. O que é natural eu sentiria o mesmo. E não é um sentimento racional é mais irracional, nem pensas concretamente nisso simplesmente sentes alguma satisfação com a frustação, que ele vai dando a entender que sente, relativamente a esta nova relação.
Enfim somos todos humanos...


bjnh*

Márcia Santos disse...

Tambem gostei da forma como escreves.
E quanto ao sermos da mesma cidade, nao tinha reparado.
Gostei de visitar o teu blogue e certamente virei cá mais vezes.

Beijinho

Patrícia disse...

Bonito texto, mas bastante sentido (nos dois sentidos ).
Não conheço a vossa história , mas se fosse necessário para ser feliz, se recuar nas escolhas , não o farias ?

Gosto de finais felizes , só isso!

voltarei cá brevemente,
bjs

Daniela e Yolanda disse...

Bom, adoramos o teu texto.
É algo que realmente nos tocou pelas palavras.
Excelente :D

pip disse...

Palavras demasiado bonitas para não terem um final feliz… um beijinho

laura carvalho n. disse...

ainda me há-des ensinar de como aprendeste a viver bem sem ele. eu gostava de ter a força que usaste para expressar estas linhas. brilhante**

Fuxa disse...

Meu Deus ... Se eu não soubesse diria que tinha sido eu a escrever este texto :O ! Parabéns pela forma magnifica como escreves :') *

Cristiana Dias disse...

palavras brilhantes, palavras que bruscamente me envolvem a alma e me fazem ler mais e mais e mais... palavras viciantes!brilhante.*